sábado, ‎13‎ de ‎agosto‎ de ‎2022, ‏‎17:04:12

 Reencontro Tina - Bertioga, fev./2022

Bom, vou fazer aqui uma introdução prum texto que escrevi em 2005, na intenção de atualizar, dentro do possível, o ambiente epocal que o incentivou: seria então aceitável a chance de repontar seus excessos descritivos, e, bem fácil, alimentada pelo tom de reverência que estrutura a argumentação, essa escolha interpretativa projetaria sobre o artigo um decalque beirando o proselitismo. Hoje, com maior clareza do que compreende o ato de "historicizar", percebemos que aquelas tentativas escolares da primeira Leso já estavam sob o feitiço do "registro" e do "documento"; daí, "objeto" e "sujeito" da análise, inevitavelmente impregnado de otimismo e entusiasmo, foi que saiu a coleçãozinha de memórias que compartilho aqui.

Das primeiras anotações até a sua versão final (entre 2005 e 2012), período de sucessivos retoques e acréscimos de informações - o roteiro da entrevista central, remetido para xs integrantes que puderam ser contatadxs e para o Orestes (nosso "héliocentro", em torno do qual as propostas e as ações se coordenavam) se deu praticamente ao mesmo tempo -, o texto foi se encorpando à medida em que as respostas chegavam, e as costuras combinatórias de assuntos e temas explicam a sua permanente reelaboração. Em 2012, na intenção de dividir o resultado, houve uma publicação não-oficial no nosso blog reservado para transcri(a)ções de depoimentos brutos diversos e outras experimentações escriturais (www.zinezinho.blogspot.com), e assim segue inédito desde então, até agora.

Assim, lá se vão dezessete anos da proposição inaugural do nosso "Grupo CIM - Campinas Imagem em Movimento - releitura do triênio 2002/04" e dezenove, considerando a aproximação da Leso ao núcleo do CIM (2003), já em pleno andamento em 2002. Na presente data, aliás, comemoramos o vigésimo aniversário do Sacô?, o marco-zero da gente, VHS-curta-experimental que fincou a estreia das nossas produções e ideias no terreno da atividade cultural: não demorou para que aquela proto-LesoVídeoFilmes, que arriscava seus primeiros "vídeo-exercícios" (etiqueta que servia para unificar os "documentários-documento", título que nos parece mais adequado), se afinasse à pares com ambições semelhantes, um sem número de verdadeiros "nutrimentos de impulso", alguns dos quais ainda influentes e indispensáveis no permenente processo de atualização que requer a criação artísitca.

CIM, Leso!

Embora o artigo que se verá desenvolva, no rendilhado da colcha-collage resultante, os cruzamentos valiosos que marcaram a virada do milênio em Campinas, vale a pena fortalecer o arcabouço factual do tempo. 

Fundado em 2002, o CIM e sua práxis nascem, explicitamente, subsidiados pelas veias do Movimento Cineclubista, cuja cartilha já tinha sido assimilada. Alguns destaques importantes:

1. Consequência direta da segurança operacional do Grupo, o domínio no manejo de todas as etapas que a metamorfose teoria-prática exigia, foi também motivo de intensa troca de conhecimentos. Da concepção e curadoria à assessoria de imprensa; das estratégias de divulgação à panfletagem massiva de filipetas e cartazes; do design gráfico à diagramação dos materiais físicos; da organização das sessões à mediação das discussões.

2. A partir dessa expertise coletiva, foi possível a articulação dos "Ciclos de Cinema" (Ciclo de Cinema Novo – 2º semestre de 2002 | Ciclo de Cinema Marginal – 1º semestre de 2003 | Ciclo de Cinema Soviético – 2º semestre de 2003 | Ciclo de Cinema Trabalhadoras e Trabalhadores – 1º semestre de 2004): mostras temáticas que propunham um diálogo imersivo nas mais dicotômicas correntes e escolas cinematográficas. 

3. Enriquecendo os "Ciclos", criou-se os "Cadernos do CIM" - revistas impressas munidas de apontamentos analíticos que conduziam os espectadores à um estado reflexivo ativo, permitindo a formulação de hipóteses próprias sobre a função estética e conteudística dos filmes exibidos e o contexto em que se encontravam seus realizadores. Cuidadosamente editados para engendrar os debates pós-sessão, o público, agora armado, se via apto a confrontar as suas impressões frente às observações estampadas nos "Cadernos". A autoria dos textos - assumida pelxs integrantes do grupo, ora por intimidade junto à obra, ora por sua aparência desafiante - manifestava em suas argumentações todo um substrato informativo, extraído durante os sistemáticos e rigorosos momentos de estudo. Matrizes da lapidação e da preparação idealizadas, os "Grupos de Estudo", periódicos, abertos e concorridos, eram encarados com um respeito consciente de sua relevância.  

4. Daí - ainda na marcação dos passos cineclubistas -, exercitados os estágios "formativo-instrutivos", abriu-se a oportuna porta da realização videográfica, que rendeu curtas-metragens marcados pela experimentação da linguagem fílmica e pela mistura de formatos e texturas. O "Manequim" (Ficção-DV-2002-Campinas) é o primeiro trabalho do CIM e foi concebido de forma coletiva, e as funções técnicas individualizadas nas cartelas finais são meramente protocolares.

5. "Sacô?" e "Manequim", filmes irmãos que tinham em comum não só a data de lançamento, seriam o elo entre nós e fixariam a nossa colaboração durante o biênio seguinte.

A Tina, 2008

De 2008 a 2013 - mostra LUTA

Meu mestrado é na área de Educomunicação - E o doutorado sobre cinema latino-americano na área de meios e processos audiovisuais

Em 2008, ano que retorno à Jundiaí, depois da passagem pelo Rio de Janeiro, a Jornalista, Pesquisadora e Diretora Cristina Álvares Bescow - a Tina, uma das mentes do CIM -, na época à frente da produção da Mostra LUTA, visita Jundiaí para prestigiar a 1ª Mostra de Cinema Negro da cidade, levada à público por iniciativa da Socióloga e Educadora de Museus Creusa Claudino, que durante muitos anos coordenou, com dinâmica e ótica sem precedentes na região, as atividades e ações do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí - o Solar do Barão -, com curadoria minha e da Comunicadora e Ativista Cultural santista Aline Lourena (também uma das raízes do "Intervalo"). Essa sessão foi especialmente importante porque marcou a estreia da Sala Projeção - nomeada assim mesmo, sem a preposição "de", dando a ideia de pro-jetar, propor uma outra visão sobre a utilidade do aparelho público. O espaço servia de depósito e estava subutilizado; coube, mais uma vez, à Creu o papel de modificar o local que, rapidamente, depois de uma severa limpeza e higienização mecânicas, ganhou até cadeiras de um cinema da cidade extinto, esquecidas que estavam em algum canto escuro. 

Muito bem. Agora em Bertioga, recebo um convite da amiga, 14 anos depois do último contato. As fotos 

Em 2008, ano do meu retorno à Jundiaí, depois daquele "Intervalo Carioca" (2005/2008), me integrei às iniciativas da Socióloga e Educadora de Museus Creusa Claudino, à frente das Ações Educativas e Artísticas do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, o Solar do Barão. Nessa época, havia no Solar uma sala inutilizada e esquecida, que dava de frente para o inigualável jardim, ele sim cuidado com muito esmero. O espaço era perfeito para acampar exibições de filmes, debates e outros tipos de encontros que, como imaginávamos, seria mais uma possibilidade de dinamização do Museu, ainda tímido em matéria de apropriação civil. Foi o ano também da primeira exposição construída, desde a sua concepção até a sua apresentação, a importantíssima "Leituras da Escravidão: Identidade e Resistência", idealizada pela Créu e que agrupou diferentes grupos jundiaienses ligados à Cultura Negra, da militância política à cultural.

Na ocasião, a Leso contribuiu produzindo uma Mostra de Curtas temática, em curadoria parceira com Aline Lorena, e que foi a inauguração da Sala Projeção - assim mesmo, sem a preposição "de", dando a ideia de pro-jetar, uma outra visão sobre a utilidade do espaço público - 

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