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TEXTOS FÓRUM DO FILME LIVRE - lista Cine8ito - 2002

o que propus pro gt de quinta não reflete na íntegra o que penso sobre os filmes experienciais. tenho uma tendência a pensar muito nestas questões pra tentar resolver MEUS problemas cinematográficos. até porquê acredito piamente que vivo um filme. nós. estou aprendendo ainda. eu sou meu experimento. e aquilo foram propostas.

sem experimento, não há cinema, claro. e é experimentando que se chega à algum lugar, o SEU lugar. mas, e quando se experimenta sempre e não se chega a lugar nenhum? digo, um lugar mais "alto" e mais "definitivo"? não superior àquele do começo, mas mais afirmado e apoiado nele?  crescimento substancial? mas qual é este crescimento substancial? quem quer o quê e à que horas? pra mim, este lance de amadurecimento parece não existir nalgumas pessoas. ambição mesmo, sabem? quem tá viajando sou eu?

boa hora pra falar de stockhausen. e que seria de nós sem stockhausen? sem a música-tema da modernidade? mas quem é capaz de RESPEITAR stockhausen pelo que ele produziu sem saber o que se fazia antes e o que se passou a fazer? que ele fez pra gente compreende-lo? deveria fazer algo de fato? ou já fez o suficiente? e qual é a suficiência do artista? ou na prática isto é impossível? e que me dizem de glauber, tomzé? não é um suficientemente equilibrado?

só acho que é preciso se discutir os "experimentos". julgá-los como certo e errado, filme ou não filme é simplista demais, sei. mas é o que muitos são obrigados a fazer por questões que o artista poderia resolver de n formas diferentes. e se não se discute o público e sua formação e o nosso papel nela e por ela, desinteressa e desanda. e isto tem a ver com linguagem e diversidade.

isto também depende de muitas outras coisas. sei lá. talvez tenha mesmo sido um pouco infato-juvenil, já que estamos falando de cinema com cineastas.

sobre as divagações evidentes que rolarão neste gt de linguagem, talvez isto dê o tom da discussão...e não se esqueçam: é tempo de MANIFESTO.

moira, te ligo de casa hoje.

meu tel é (19) 33855349

depois volto

abraços

rodrigo tangerino

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:::Quinta-feira, 29 de Agosto de 2002 02:57::::

Fórum do Filme Livre: encontro das sementes já plantadas: relato pessoal e coletivo.

por Rodrigo Tangerino


Domingo no mam de São Paulo pela noite era só vantagens. Depois duma das sessões do 13º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, nós, jovens entusiastas do cinema, não tímidos, subimos em nossas próprias costas e jogamos nossos filmes na telona do museu, na abertura do Fórum do Filme Livre, felizes.

Eu, que não conhecia de perto os organizadores nem nenhum outro realizador, já dispensara, como eles, a ingenuidade. E percebi isto logo na boca do auditório, antes da sessão.

Durante, postado na frente de filmes que eram dispositivos, aqui e ali as experiências iam se formando. E vou dizer: chacoalhou-se a roseira do cinema nacional. Os filmes corriam em diferentes direções e rápido.

E cada um - públicorealizador - corria também pra buscar os filmes dos outros, tipo de exercício, com a diferença que, ao final, a exaustão foi luz e novidades.

Como se quiséssemos terminar com o cinema e começar com o cinema.

Na grande discussão posterior, grandes foram os subsídios para se esquentar e rechear os gts, as idéias fervilhando: efetivo aumento da vontade e da qualidade do abraço ao projeto.

Amanhâ e quinta são os dias dos grupos de trabalho no CINESESC.

A potencializarão dos resultados das exibições e a concretizarão das propostas levantadas com respeito à todos: a busca.

E mais exibições no sábado e no domingo, o encerramento com as propostas alcançadas, todo o pessoal e um grito final.

 Depois já é segunda feira, começo de semana.

Já sinto uma falta precoce; já vejo o próximo logo.

Abraços à todos

Rodrigo Tangerino

informações sobre o forum no site

 HYPERLINK "http://www.forumdofilmelivre.hpg.com.br" www.forumdofilmelivre.hpg.com.br



Sobre as propostas da Moira no 2º dia do Fórum

por Rodrigo Tangerino

Com relação àquele texto que você redigiu e nos leu ontem, acredito muito na idéia dos trabalhos em comunidades/universidades pra formação de público. E principalmente pras comunidades periféricas que, ao meu ver, estão muito mais abertas às experimentações e à arte de uma forma mais livre, principalmente por causa do rap. E eles têm muito que nos ensinar sobre coletivo e buracos respiradouros.

  

Agora, sobre aquilo que me propus, construir algo ligado aos núcleos. 

  

A princípio, a formatação do FORUM DO FILME LIVRE como instituição e não como “merchandising” - o que diverge daquilo que moira propôs, visto a impossibilidade da existência de sedes do FORUM em cidades diferentes – respeitaria, de imediato, o formato das mostras e sua identidade, embora, evidentemente, alguns parâmetros de seleção e interrelacionamento entre os grupos devam ser descritos e respeitados.

  Acho que a idéia principal não é a de implosão deste sistema que dispomos – o das mostras e tal –, mas a reformulação disto, tendo em vista, agora, uma unidade de significação, de apoio e de interesse coletivos. A responsabilidade maior, portanto, seria dos próprios núcleos que, enrijecidos pelo FORUM, cresceriam mais em qualidade e visibilidade. Chegaremos à qualidade através da quantidade. Se é que qualidade se mede assim, fácil.

 Um esquema de divulgação DEVE ser feito. Não podemos desprezar a net nem a facilidade da produção de um e-informativo, com textos nossos, críticas, falando dos filmes, do nosso cinema. Até um catálogo de filmes, com as visões do realizador, sinopse, gritos. Um site resolveria um dos problemas da exibição: como e onde ver. E um retorno do cara que foi lá e viu o filme, deve ser uma preocupação grande pro nosso crescimento enquanto entidade cultural.

A afirmação e sustentabilidade que o FORUM daria como instituição pros núcleos já existentes, a inserção de novos núcleos sob a orientação dos representantes do FORUM, tendo em vista sempre nossa proposta inicial da anti-exclusão e a presença indispensável da circulação de informações, via net e/ou impressa, é um resumo do meu ponto de vista, um ciclo sempre aberto porque não deve ser burocrático.

Os núcleos seriam responsáveis por promover debates com os realizadores e público em suas mostras locais, como aconteceu no domingo no mam – uma espécie de conferência explicativa que funcionaria como uma “manutenção” dos filmes, ou seja, exalta-los, discutí-los ou seja lá o que for preciso fazer pra encurtar os caminhos entre eles e o público.

A questão agora é promover uma consciência, não criar um código, como se costuma pensar o filme livre.

Partindo de um esquema de seleção dos filmes seguindo critérios impostos por nós, – o que não necessariamente acabe com o esquema de exibição que estes núcleos já citados promovem – o júri seria formado pelos representantes de cada núcleo acrescido de mais um representante dos outros núcleos e os filmes escolhidos em cada cidade também passariam por uma seletiva final, agora com júri geral, com a presença de todos. Isto a gente até pode discutir melhor. Tô pensando mais em como resolver isto.

O que precisa ser mais discutido são “os finalmentes”  da situação: vale a pena um prêmio material ou nossa relação com os realizadores deve ser mais de sustentação, levando seu filme adiante? Eu prefiro criar uma rede mesmo, tipo exibir os filmes finais (e sem hierarquia de classificação) nas cidades dos núcleos e, de repente, até promover estes filmes no circuito dos festivais nacionais. O problema é que aí ficaríamos à mercê dos caretas e tendo que agüentar os narizes torcidos. Mas, seguindo André Arieta, vale a pena estar em todos os lugares, marcando presença e causando coisas às pessoas.

Toda a vantagem deste esquema de mostras e exibições é que se pode traçar um mini-caminho pros realizadores, uma mostra competitiva em sua cidade ou região, com o consentimento de TODOS ligados ao fórum – no sentido de todos saberem o que está acontecendo mesmo nos núcleos fora de suas cidades.

Outro parâmetro importantíssimo seria as cotas pros formatos, que podemos detalhar juntos. O que menos importa pra nós, agora, são os formatos.

Um relacionamento com universidades também é importante: os estudantes interessados ainda existem, a maioria assustados com a relação experimental/comercial. Até, uma coisa que é extremamente legal, é a possibilidade de se criar locais para a experimentação com suporte técnico, oferecido pelas universidades, mais ou menos como um local de pesquisa estética e de novos caminhos.

Bem, acho que é isto

abraços

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Data: 11, 12 e 13 de junho

Local: sala do centro cultural Evolução

Informações: Rodrigo Tangerino: (11) 9954-8052

Durante os dias 11, 12 e 13 de junho, quarta, quinta e sexta-feira, a partir das 19:00h, ocorrerá, no Centro Cultural Evolução (rua Regente Feijó, 1087, Centro), o Panorama livre olhar de Campinas, evento que exibirá vídeos experimentais de diversas cidades do país, incluindo inscrições de vídeos campineiros. Após as exibições, ocorrerá debate. 

A mostra audiovisual, com apoio do Museu da Imagem e do Som (MIS), terá entrada franca e reunirá trabalhos vencedores no Festival do Livre Olhar - realizado em Porto Alegre -, que conta com trabalhos experimentais Cuiabá, Porto Alegre, Belo Horizonte, Vitória, Curitiba, Goiânia, Caxias do Sul e Campinas; trabalhos campineiros e de cidades do interior e filmes dos participantes do Forum do Filme Livre, ocorrido no em agosto/setembro do ano passado em São Paulo. Haverá também, como homenagem, a exibição de filmes de Maya Deren, ícone da vanguarda cinematográfica americana dos anos 40 e 50. Segue, abaixo, texto explicativo dos curadores do evento, Rodrigo Tangerino e Natália Loyola Cruz.

Não é de hoje que os grandes festivais de cinema e vídeo do Brasil não contemplam de forma respeitosa e coerente a produção do audiovisual experimental. As dificuldades de exibição destes filmes – trabalhos que buscam a formação crítica e não a mera recepção passiva da platéia - aliadas a conceitos estéticos passadistas de grande parte dos jurados, deslocou para o sucateamento esta forma de expressão que, cristalizada no início do século passado pelos soviéticos, posteriormente tomada pela vanguarda européia e americana e arejada no Brasil nos anos 60 e 70, abordou em primeiro plano a busca de uma identificação audiovisual embasada na pesquisa de linguagem.

Contudo, através de esforços vindos de pequenas produtoras espalhadas pelo Brasil, foi possível que um grande passo fosse dado: o que ficou conhecido como Fórum do Filme Livre, ocorrido em agosto de 2002, a vertente mais instigante do 13° Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, não só pela liberdade artística, mas pela retomada e reformulação daquele espírito transformador que parecia dissipado.

Aquele evento, que serviu como um termômetro da produção independente experimental, teve continuidade graças às trocas constantes de informações, ao enrijecimento do projeto inicial e à consciência coletiva adquirida entre os “livres” e culminou no Festival do Livre Olhar, evento que apresentou ao país os trabalhos mais interessantes e inovadores de todo um panorama nacional.

O Festival do Livre Olhar - que aconteceu em Porto Alegre entre os dias 29 de abril e 4 de maio - trouxe inovações em diversos segmentos: teve organização e curadoria de jovens cineastas/videastas experimentais – o que não seria possível sem os apoios culturais e logísticos de instituições importantes no âmbito cultural -, prêmios inusitados, aboliu a “hierarquia de suportes” e apresentou mostras paralelas não convencionais. 

Uma das partes mais importantes do projeto do Festival do Livre Olhar é a Itinerância, ou seja, o deslocamento de parte das produções apresentadas durante o festival e seu redimensionamento no contexto local no qual será inserida. Estas mostras acontecerão, num primeiro momento, nos berços das produtoras envolvidas – Niterói, Campo Grande, Caxias do Sul, São Paulo. O motivo das Itinerâncias é muito simples: para que os trabalhos destes realizadores desconhecidos tenham uma visibilidade condizente com a diversidade do próprio festival, é imprescindível uma descentralização. 

É importante salientar o pioneirismo de todo o projeto do Festival do Livre Olhar no contexto nacional e, agora, no de Campinas, cidade com um ambiente universitário e artístico tão férteis. 

O Panorama Livre Olhar/Campinas será apresentado durante três noites (11, 12 e 13 de junho), numa das salas do Centro Cultural Evolução e terá como “Programas”, respectivamente:

11 de junho, quarta-feira: Panorama Festival do Livre Olhar: mostra sem caráter competitivo que visa apresentar ao público campineiro os vencedores do Festival do Livre Olhar, bem como alertá-los para o nascimento de uma nova vertente de evento audiovisual na cidade;

12 de junho, quinta-feira: Panorama Livre Olhar Campinas/Interior – Um Salto ExperiMental: também sem caráter competitivo, visa reunir os trabalhos de realizadores de Campinas e de cidades do interior sem espaço para mostrar suas produções mais a homenagem à Maya Deren,

13 de junho, sexta-feira: Panorama Livre Olhar Campinas/Interior – Um Salto ExperiMental e ‘Mostra Filme Livre”: segunda fase de exibição dos filmes de Campinas/Interior e uma “revisita” à exibição do Fórum do Filme Livre.

Nos três dias, as sessões serão iniciadas com um filme premiado convidado – do âmbito experimental – e encerradas com debates para fomentar a discussão. 

Como parte do Panorama Livre Olhar Campinas – Um Salto ExperiMental, uma vídeoarte recepcionará o público, que encontrará duas televisões em “diálogo”, bem ao estilo FLUXUS de Nam June Paik, pai da videoarte. 

Maiores Informações pelo tel: (11) 99548052 com Rodrigo Tangerino ou Natália Loyola Cruz - Curadores do “um salto experiMental”

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ŠîŠîŸ ÉÅ  Š„Ê
ras de Glauber, é que toda manifestação artística está em fina sintonia com seu recorte histórico e com as inquietações que diretamente ele produz. O pacote movimento Hip Hop subverte, sozinho, 4 áreas da represetações que são indissociáveis e compõem um quadro de vanguarda que brota dos excluídos, pondo em cheque as possibilidades
Então, o que é aqui? Éesposta ácida, responsável e fantasiosa produzida por um longínquo sistema que envolve leis de incentivo sectaristas (existem roteiristas que desenvolvem seus temas sem palavras!), esquemas de distribuição e exibição baseados no comércio – falar que ele é basicamente americano – e no descrédito por parte daqueles que ainda procuram o ancaixado, a magra conexão realista. 
Seguimos num caminho de enrijecimento estrutural de uma produção que se oferece viva para o público, se opõe ao prosseguimento das seqüências do alto circuito e não impõe uma regra tampouco a tangencia.
Frustrar a “simplicidade” e a “facilidade” audiovisuais: nós subvertemos a fruição, buscamos afirmar uma intervenção mais viril no cotidiano e a interpretação dele a olhos frescos, que problematizem o modo e a necessidade da visão múltipla, plural, não industrial.
Que significa retomada? Alguns frutos esparsos, os mais radicais ainda acorrentados. O curta metragem, quer no recluso ambiente estético da universidade ou ditado pela velha dicotomia belo-feio, 
Foi esquecida a importância da radicalidade enquanto base para se produzir e para amadurecer. As experiências funcionam como evolução. Um fruto – seja um curta ou um longa – sem as características da experimentação estético-taméticas parecem
Buscar a nossa radicalidade própria é que garante um diálogo mais pertinente com a atualidade e possibilita frutos de real interesse estético e social.
Uma das chaves para a proliferação destes bichos-filmes, muitos ainda trancados dentro de qualquer corpo que o suporta sozinho, são os aplausos e a redimensão das platéias: iniciar um processo de inserção lento, furando tal ferro duro através de ações afirmativas, de amor mesmo aos filmes; uma rede que vem sendo construída por uma determinada facção de realizadores ligados ao filme experimental, cujo ápice se materializa no Festival do Livre Olhar, em Porto Alegre, em sua segunda edição em 2005. Eu vi e estive. Sou ainda mais entusiasta do que propriamente um realizador. E creio que é hora de se permitir.




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