“SEM TÍTULO”Rio de Janeiro/2005
“SEM TÍTULO”
Novela Experimental (ou exercício de retomada)
AUTOR: Rodrigo Tangerino
Rio de Janeiro/2005
Esta série em capítulos foi concebida inicialmente como um curta-metragem. É um vídeo experimental que dialoga com um texto de Clarice Lispector, com atuações de Felipe Mattei e Marcinho e muitas imagens de arquivo (es)colhidas para dar um grau documental às entrelinhas do conto literário e fortificar o vídeo de maneira que fosse pensado num plano mais aberto, experiencial. A fotografia é rasgada – ou estourada – de acordo com o clima da personagem, as ações se desenvolvem de maneira fragmentada, unidas ora por peças aglutinadoras, ora por reviravoltas de câmera. A edição percorre um caminho primitivo, ou seja, o material bruto foi, num primeiro momento, todo editado num videocassete, numa conversa direta entre ele e a filmadora, flagrando seus potenciais caseiros e de estilo. Depois, na transferência para o computador para a edição final, tal material foi condensado através do trabalho das ferramentas do videocassete mesmo, espécie de edição propositadamente primal: vê-se nas imagens, por vezes, o “PLAY” inscrito nos momentos em que as elas ou fluíam naturalmente pra dentro do programa ou “fugiam” de densos controles aceleratórios, conseguidos pelo uso do “REW” ou do “FF”, bem como as pausas em slow também presentes na edição final. Neste sentido, o filme procura uma aproximação mais viril com a televisão, deixando de lado a dicotomia “bem feito-mal feito” para deslumbrar uma característica mais videográfica, esta esquecida pelos jovens realizadores que procuram, na maioria dos casos, a mera conexão realista e a beleza imagética de sistema, do broadcast convencional.
Perante uma realidade na qual grande parte dos videoartistas ainda não retome o ponto mais radical do cinema/vídeo experimental, já iniciado por aqui no início da década de 30 – caso do mito “Limite”, de Mário Peixoto -, potencializadas pelas experiências sessentistas de Glauber, Sganzerla, Mojica e Bressane e da primeira geração de videoartistas brasileiros – muito ligados ao terreno das artes plásticas por uma questão histórico-tecnológica, passando por Tonacci, por toda a geração do supor-8 e depois pelo segundo momento do vídeo na década de 80, parece que pouco frescor permeia a nova geração.
No mais, o caminho está aberto, ainda podemos nos permitir. Basta uma câmera e uma fuga, buracos respiradouros indicados e ainda a serem perfurados. Este caminho da TV Educativa do Rio, através dos idealizadores do programa Recorte Cultural funciona sobremaneira como um salto grande, uma big possibilidade para quem pensa a “atitude vídeo” não com olhos passadistas, mas sim, como Oswald de Andrade, andando sempre pra frente, como a história.
Rodrigo Tangerino

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